Re:Re:Re:Re:Química

Sérgio Rodrigues 10-05-2012
Alguns esclarecimentos adicionais. O vidro é um sólido amorfo que é por vezes classificado como um líquido muito viscoso. Esta subtileza tem a ver com a transição de fase não ser abrupta como a dos materiais cristalinos. Mas a viscosidade do vidro é tão alta que na prática nem em milénios se observaria qualquer "escorrimento." Esta ideia popular, mas errada, do "escorrimento" do vidro torna-se plausível devido aos processos antigos de fabrico do vidro plano. Este era soprado e endireitado de forma mecânica sobre uma superfície por calcamento ou compressão. Ficava assim, normalmente, com imperfeições (lados mais espessos, bolhas, sulcos etc.) que no vidro aplicado em janelas podendo dar a ideia de ter havido esse suposto "escorrimento." Esta ideia está tão arreigada que muitas pessoas têm dificuldade em aceitar o seu contrário evocando novos argumentos, como por exemplo, a composição dos vidros antigos que sabemos terem pontos de fusão mais baixos, etc. Isso deve pôr-nos alerta e serve de exemplo de como os cientistas também são por vezes "enganados" pelas ideias e mitos comuns. Não tem qualquer problema ter em algum momento ideias incorrectas, o erro é persistir nelas. É assim que a ciência avança: corrigindo os erros.

No caso da água, há de facto um conjunto de condições em que as três fases estão em equilíbrio termodinâmico (poderiam ficar assim teoricamente para sempre), chamado ponto triplo, à temperatura de 0.01ºC e à pressão de 6 milibar (a pressão normal é cerca de 1013 milibar). De forma geral todas as substâncias têm um ponto triplo, mas não conheço nenhuma substância que tenha um ponto triplo que possamos observar perto da pressão e temperatura normais.

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